Greve ou não, eis a questão… 13/06/2009
Posted by Kieran in Editorial.trackback
Aproveitando o feriado, fui para São Paulo. E estando lá, resolvi dar uma esticada no Museu Paulista, aquele construído próximo ao Parque da Independência. Para quem não sabe, é o local onde supostamente D. Pedro deu o famoso grito e libertou o país das mãos portuguesas (para depois entregar para os ingleses e posteriormente para os americanos).

Museu Paulista
Bom, história a parte, estava eu subindo calmamente a alameda do Parque, que leva aos portões do Museu. É uma caminhada bem agradável, já que se pode contemplar uma boa área verde no meio da selva cinzenta de prédios. Fiz questão de reparar que ali não se ouvia o som dos carros que passavam nas avenidas próximas, o que aumentava o clima de tranquilidade. Pois bem, quando cheguei à metade da subida, reparei então na grande faixa vermelha que estava pendurada na frente do prédio e que ostentava a frase “O Museu Paulista da USP está em greve”. Lembrei então do detalhe de que quem cuida do museu é a USP. Pronto! Conseguiram estragar meu feriado. Justamente quem eu menos esperava (ou lembrava): os grevistas da USP.
Eu vinha acompanhando o desenrolar da greve tanto na USP quanto na UNICAMP, aqui no interior. Achei que não ia durar muito, a julgar pelo que aconteceu nos anos anteriores, pelo menos na UNICAMP. Mas estava enganado. Os grevistas parecem que não vão ceder tão cedo. Antes que me perguntem, já afirmo que sou contra greves longas. Uma paralisação simbólica de 1 ou 2 dias, até é fácil de compreender, mas quando se extrapola esse tempo, acredito que o ato em si perde o sentido. É como alguém estar te xingando, você vai lá e bate no cara. Você acaba perdendo a razão.

Um perdeu a razão, o outro os sentidos
Então eu pergunto aos meus botões: não há outra maneira de fazer valer os próprios direitos? Lembrei-me da greve dos motoristas e cobradores aqui em Campinas, há uns meses atrás. Eles pararam a cidade, pediram 60 e poucos por cento de aumento, e no final receberam 7%, fora uma pequena briga com a justiça que havia obrigado a ter um número mínimo de ônibus da frota circulando durante a greve. Até que ponto valeu à pena fazer tudo isso?
Não sou contra brigar pelos direitos que são legítimos, mas acho que deveria-se analisar se os métodos utilizados estão corretos. Boa parte da população já está meio cansada de conviver com greves, manifestações e outras atitudes radicais que os sindicatos e funcionários mais exaltados tomam.
Por outro lado, acredito também que aqueles que comandam deveriam olhar um pouco mais para os seus funcionários, manter o diálogo aberto e tomar medidas que evitem que os trabalhadores necessitem de tomar atitudes extremas. A sociedade agradeceria se ambos os lados tivessem um pouco mais de sensatez e inteligência. É hora de agir com serenidade e sabedoria para que os erros do passado não se repitam.

Confronto do dia 09/06 na USP
Ou vocês querem que a cena acima se repita?



[...] eu fosse um pouquinho mais reacionário, montaria um protesto, uma greve, ou uma campanha para acabar com isso (mas isso dá muito trabalho, e eu prefiro evitar a fadiga). [...]
Em primeiro lugar agradeço pela visita. O blog é novo e estamos apenas começando, mas a ideia é essa mesmo: ter opinião própria e inteligente!
Agora quanto às greves, eu queria acrescentar: o que me cansa é o fato de que todo ano é a mesma coisa. Isso está se tornando previsível e banal. Se o ponto em que chegamos é esse, todo o barulho que fazem começa a ser desnecessário. E claro, concordo que começa também a se tornar uma atitude agressiva e uma falta de respeito, não só para com os patrões, mas para toda a população de um modo geral.
Kieran,sou uma das ‘escritoras’ do blog Ahazza Bee que você visitou e deixou um comentário no post que eu havia feito sobre a gripe suína,e vim conhecer o seu blog.Adorei o mesmo por ter vários posts inteligentes e com opinião própria.Concordo com o que você postou,apesar das greves serem ”organizadas” para reivindicar o que de certo é deles por direito,não apoio,claro todos tem direito a liberdade de expressão,mas as greves de um modo ou de outro quase sempre acabam virando uma forma agressiva e desrespeitosa de se conseguir o quer e o que é reivindicado.Se ambos os lados fossem inteligentes achariam uma forma pacífica de se resolver o problema.Em meio a tanta violência e caos o que menos precisamos são de fatores que intensifiquem isso.